O atual desenvolvimento econômico não produz sustentabilidade

Em termos globais, o desenvolvimento econômico é atualmente impulsionado pela industrialização dos países asiáticos e florescimento das economias dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e um número cada vez maior de pessoas que está ingressando na nova classe média mundial (150 milhões por ano nos próximos 20 anos), o que terá um impacto direto sobre o meio ambiente, a produção de alimentos e o acesso a água.

 

Apesar do crescimento econômico e da redução da pobreza ocorridos nos últimos anos, a América Latina continua sendo o continente mais desigual do mundo e, até o momento, não se mostrou eficiente na superação dessas desigualdades. De fato, a inclusão de certos setores na economia se baseia em grande parte no acesso a subsídios e créditos, e não na inclusão econômica genuína e na geração de bens de livre acesso e de qualidade como saúde, saneamento, educação, segurança cidadã e justiça.

 

Em muitos países, o crescimento econômico ocorre de maneira paralela ao desemprego, à informalidade, à vulnerabilidade e à falta de proteção social, o que torna essas classes em ascensão bastante frágeis. A classe média está respaldada no acesso volátil a ofertas econômicas, mas sem acesso ou com acesso limitado a oportunidades sociais e culturais, dependendo exclusivamente de seu trabalho, pois como carece de reservas e capacidade de poupar, não pode manter sua condição socioeconômica, no caso de perda de sua renda.

 

A competitividade ocorre de maneiras distintas na América Latina: enquanto algumas nações tiveram melhoras, outras mantêm baixos níveis de competitividade, devido à existência de instituições frágeis, falta de infraestrutura ou uso pouco eficiente da produção e recursos humanos. Por outro lado, no marco do aprofundamento da brecha digital em nível mundial, os baixos níveis de investimento em inovação científica e tecnológica na região ainda persistem.

 

Além disso, as organizações de crime organizado que penetraram nas regras do jogo do mercado tornaram-se investidores de negócios lícitos, que servem não somente para lavar dinheiro, mas também para adquirir reputação social.

 

Em geral, muitos dos setores que mais crescem são os mais nocivos e destruidores, e os que menos geram benefícios para a sociedade como um todo. As indústrias de extração descontrolada e as que se vinculam a interesses econômicos estreitos ou a paraestatais representam a velha economia da América Latina que existe desde a época da colonização e que gerou muitas condições de pobreza e de vida precárias que caracterizam a região historicamente.

 

Neste contexto, será necessário incidir nos mercados nos próximos anos para que o sistema econômico possa caminhar em direção à redução da desigualdade e ao uso sustentável dos recursos, reforçando a economia solidária e os negócios inclusivos e envolvendo e comprometendo as empresas na geração e proteção de bens públicos.

 

Analisando profundamente essas e outras tendências, a Avina deve se concentrar em:

 

 

 

Referências
Fontes primárias: investigações, entrevistas e ensaios realizados pela Fundación Avina

Algumas fontes secundárias consultadas: