Foto: Celine Frers

Na região do Grande Chaco Americano, aumentaram os níveis de
desmatamento, de contaminação e expulsão de indígenas e camponeses.

N o contexto mundial de alta demanda de recursos naturais, o Grande Chaco Americano, a maior floresta seca contínua do mundo e a segunda maior massa florestal da América do Sul, está sendo cada vez mais pressionado. Nos últimos anos, aumentou o desmatamento na zona do Grande Chaco Americano, assim como a contaminação e a expulsão de indígenas e camponeses. A exploração de hidrocarbonetos e a expansão das fronteiras pecuárias e agrícolas não aliviam a pobreza estrutural que caracteriza a região, expulsam comunidades que tradicionalmente vivem em harmonia com a floresta e produzem uma degradação ambiental de grandes proporções.

 

O trabalho da Avina no Grande Chaco Americano

AAvina e seus parceiros trabalham para transformar o aparente dilema entre conservação e produção em uma solução eficiente, baseada em uma nova economia construída a partir da busca de convergência de interesses dos principais atores da região e na construção de uma governança participativa e efetiva, onde indígenas, camponeses, organizações sociais, empresas e governos participem em igualdade de condições da gestão sustentável dos bens comuns da região: a floresta, a água e a terra, entre outros.


Estes são alguns dos resultados da Oportunidade em Desenvolvimento Grande Chaco Americano obtidos em 2012:

 

Monitoramento por satélite para sancionar desmatamentos ilegais na Argentina

O monitoramento mensal da mudança do uso do solo em todo o Grande Chaco Americano, liderado pela Guyrá Paraguay, organização parceira da Avina, é cada vez mais utilizado pelas autoridades para atuar frente aos desmatamentos ilegais. Em 2012, foram consolidados vários processos de monitoramento por satélite de desmatamento na região. Graças à intervenção do Fórum Ambiental Córdoba, que colocou a autoridade ambiental em alerta, a Secretaria do Ambiente da província argentina de Córdoba utilizou relatórios do monitoramento da Guyrá Paraguay e detectou um desmatamento ilegal do departamento Minas, localizado na província de Córdoba. A detecção a tempo deu início a processos administrativos correspondentes para a punição desse desmatamento não autorizado. O trabalho de vigilância do Fórum Ambiental verificou uma animadora diminuição da superfície desmatada mensalmente no chaco cordobês, que passou de 3.302 hectares em junho de 2012 para 85 hectares em janeiro de 2013.


Também no Paraguai e na Bolívia, o monitoramento por satélite permitiu que fossem iniciadas ações governamentais, além de servir como orientador em políticas públicas.

 

Por outro lado, o Proyecto Nativo, do qual a Avina faz parte, começou a emitir seus relatórios de desmatamento no Grande Chaco Argentino com as informações geradas a partir da parceria entre a Rede Agroflorestal Chaco Argentina e a Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires. No futuro próximo, essa nova tecnologia permitirá emitir alertas ainda mais cedo, ao detectar também os trabalhos de preparação para desmatamento.

 

Adaptabilidade às mudanças climáticas na Bolívia

Frente às ameaças que trazem consigo consequências das mudanças climáticas, os parceiros da Avina, Nativa Bolivia e Agro XXI desenvolveram uma metodologia participativa que fortalece as capacidades locais de enfrentar ou transformar em oportunidade os impactos das mudanças climáticas que já se fazem visíveis na região.


O município de Villamontes, localizado no estado de Tarija (Chaco boliviano), foi o primeiro lugar onde essa metodologia foi validada e um plano piloto de adaptação às mudanças foi desenvolvido.  Como resultado desse primeiro exercício temos: um espaço de fortalecimento da governabilidade através da combinação de visões de desenvolvimento; a reorientação do investimento público em função das demandas cidadãs, especialmente dos setores mais desprotegidos; a identificação de oportunidades de acesso a recursos de cooperação e inovação em temas produtivos; e diálogos entre as agendas globais e locais.

 

Devido ao sucesso dessa iniciativa, a metodologia já está sendo reproduzida em outros quatro municípios do Grande Chaco Americano, sua reprodução está sendo planejada em nove localidades da Amazônia boliviana e foram recebidos 173 pedidos de transferência da metodologia procedentes de cinco países. Da mesma forma, sua transferência está sendo administrada para outras localidades do país, com potencial de chegar a mais de 300 municípios.

 

Nossos principais parceiros e coinvestidores em 2012 para esta oportunidade são:  

  • Redes Chaco: para a visibilidade dos assuntos vitais da ecorregião e a geração de governança participativa.
  • Nativo, Bosques y su Gente: iniciativa binacional (Chile e Argentina) voltada para a redução das taxas de desmatamento e degradação das florestas nativas mediante a participação cidadã, lições aprendidas sobre o uso e manejo sustentável dessas florestas e melhoria das oportunidades para a comercialização de bens e serviços que elas oferecem.
  • Guyrá Paraguay: para monitorar o desmatamento, incêndios e inundações na Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai com o objetivo de promover práticas produtivas sustentáveis, envolver as empresas na proteção da biodiversidade e criar incentivos para a conservação.
  • Movimento Água e Juventude: para dar acesso a água a 100 mil famílias no Grande Chaco Americano.
  • Fundación Nativa: para acompanhar os municípios chaquenhos no desenvolvimento e implementação de medidas de adaptação às mudanças climáticas.
  • Banco de Bosques: para mobilizar a população na valorização da floresta chaquenha e constituir o Parque Nacional La Fidelidad.
  • Red de Monitoreo del Pilcomayo: para fortalecer o sistema de alertas e prevenção de desastres e gerar informação para a gestão sustentável nessa bacia trinacional.